Um depoimento sobre a tradução de "The Five"


A história de Polly, Annie, Catherine, Elizabeth e Mary Jane, as vítimas de Jack, o Estripador, está prestes a ser contada. "The Five - a história não contada das mulheres assassinadas por Jack, o Estripador", da históriadora Hallie Rubenhold, está sendo traduzido por Carolina Caires Coelho, que hoje compartilha conosco um pouco sobre como está sendo o processo de tradução. Confira seu depoimento a seguir.

Este livro vai mudar o que você pensa sobre Jack, o Estripador - por Carolina Caires Coelho

Eu sempre me perguntei por que, de certo modo, Jack, o Estripador se tornou um personagem, alguém cuja história é contada como se fosse digna de ser relatada, alguém cuja história gera lucro. Sim, existe todo o mistério de um caso nunca solucionado, e a ação de um assassino em série na Londres vitoriana, ao redor do qual giram muitos mitos. Dá para entender que seja um fato explorado para render dinheiro, mas não dá para aceitar que o horror seja normalizado, mesmo que esse horror seja de um crime do século XIX, um crime de um passado distante que parece tão fictício como uma história bem-contada.

Quando a Editora Wish me apresentou o projeto do livro The Five, me encantei na hora. Não por ser uma história bonita, claro, mas por haver, finalmente, alguém tão inconformado com a normalização do absurdo que decidiu escrever sobre a vida das MULHERES assassinadas pelo Estripador. Prostitutas? Como saber se o que dizem é real e, ainda que seja, como aceitar que atos abjetos sejam “suavizados” num discurso que veladamente releva os assassinatos, afirmando que “as vítimas eram prostitutas”?

As vítimas eram pessoas. Eram mulheres com biografias tão dignas de respeito quanto a de qualquer outro ser humano. Filhas, mães, amigas, trabalhadoras, pessoas. Pessoas.

Eu, como tradutora, sempre procuro me conectar à verdade do autor, gosto quando sinto que ele é sincero. Claro que, num livro de ficção, isso não importa tanto, porque a criatividade e o quanto ele consegue me prender - já que também sou uma leitora - importam muito mais. No entanto, num livro de não ficção, como é o caso do The Five, a verdade e a sinceridade de quem escreve são os elementos que ajudam a determinar o meu nível de satisfação por fazer parte do projeto. E a Hallie Rubenhold tem me conquistado porque, acima de tudo, ela não engana o leitor; deixa claro o que sabe e o que não sabe, explica suas limitações na extensa pesquisa realizada para a concepção dessa obra. Por mais que ela tenha escolhido a luta das mulheres assassinadas, por mais que tenha escolhido lutar para dar a elas o respeito que merecem, ela não tenta enganar o leitor nem forçá-lo a acreditar em fatos não confirmados.

Tem sido uma bela viagem e é uma honra fazer um pouco pelas mulheres vítimas de um assassino, caladas por um maníaco e pelos preconceitos da época vitoriana, preconceitos que se repetem todos os dias até hoje. Sempre que uma mulher ajuda outra mulher a achar sua voz, um opressor perde força. Estou, juntamente com as meninas da Wish, ajudando cinco mulheres de uma vez. Acho que isso basta para exprimir meu entusiasmo com esse trabalho.


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