Os piratas na literatura


Há séculos os piratas desbravam os mares em busca de tesouros escondidos, levando-nos em aventuras de tirar o fôlego. Muitos escritores, ao longo dos anos, têm se inspirado nessas figuras lendárias para criar suas próprias histórias recheadas de ação, mistério e aventura. De Capitão Charles Johnson a Capitão Gancho, conheça um pouco da história da pirataria e os piratas da literatura!

A era de ouro da pirataria

Apesar de ter visto seu auge entre os séculos XVI e XVIII, na chamada Época de Ouro da Pirataria, a história da pirataria e da navegação conversam bastante. Piratas navegaram pelo mediterrâneo na antiga Grécia e no Egito, saquearam navios durante a Idade Média e serviram como instrumentos de luta nos mares, defendendo os interesses de Inglaterra, Portugal, Espanha e França durante as Grandes Navegações.

Imagem. Pintura a óleo de antigas embarcações. Há pelo menos seis navios na tela, com outros barcos menores cercando seus grandes cascos. Estão em alto mar.  As cores que predominam são o ocre do sol poente, o marrom da madeira e branco das velas, além do azul marítimo. Todas as tonalidades parecem envelhecidas. Fim da descrição.

 

Em tempos de expansão marítima crescente e o contato cada vez maior com povos de diversas regiões do mundo, os oceanos se tornaram verdadeiros palcos para batalhas e disputas entre nações. Enquanto os países, principalmente europeus, colonizavam o chamado Novo Mundo, governos chegaram a incentivar a pirataria, criando frotas de corsários que agiam com permissão para saquear navios estrangeiros.

No século XVIII, depois que as nações estavam estabelecidas, principalmente a Inglaterra, os piratas passaram a ser julgados e caçados. A pirataria legal chegava ao fim, mas os piratas jamais sairiam do imaginário popular. Afina, por que somos tão fascinados por histórias de piratas até hoje? 

Segundo Roger Luckhurst, Professor de Literatura Moderna e Contemporânea no Departamento de Inglês e Ciências Humanas da Birkbeck, Universidade de Londres, essa relação ambígua entre condenar crimes contemporâneos e romantizar os piratas da ficção se deve à ascensão do estado burocrático moderno, onde o comportamento social é regulado de tal forma que a liberdade sem entraves representada pela pirataria é extremamente atraente.

Os piratas na literatura

Após a Época de Ouro da pirataria, as pessoas passaram a conhecer as histórias de piratas não apenas por meio de notícias, mas por registros literários. A consolidação da lenda dos piratas na literatura se deu por volta do século XVIII. Publicado na Inglaterra em 1724, o livro Uma História Geral dos Roubos e Crimes de Piratas Famosos era assinado pelo Capitão Charles Johnson. O nome é considerado um pseudônimo e historiadores debatem sobre a real identidade do autor da obra. Alguns dizem que o livro seria de autoria de Daniel Defoe, autor de Robinson Crusoe, mas não existe um consenso a respeito. 

Como uma verdadeira enciclopédia, o livro apresenta as biografias de piratas célebres e seus crimes, o que transformou alguns deles em verdadeiras lendas. Apesar de ser considerado um livro de não-ficção, acredita-se que o autor fez uso de certa licença poética para enfeitar algumas histórias e torná-las ainda mais exóticas e quase místicas. Acredita-se que foi Capitão Charles Johnson o responsável pela criação da figura moderna do pirata. O livro alcançou considerável sucesso desde sua publicação e abriu as portas para que outros mergulhassem nas narrativas de piratas com ainda mais liberdade.

Os piratas da ficção

Alguns autores também foram responsáveis por levar as histórias de pirata para o público infantil. Em 1883, Robert Louis Stevenson apresentava ao mundo A Ilha do Tesouro, um clássico da literatura infanto-juvenil. No livro, o jovem Jim Hawkins vê sua vida mudar quando um estranho capitão se hospeda na Almirante Benbow, a hospedaria de seus pais. Envolta em aventura e ação, a história de A Ilha do Tesouro foi adaptada para o teatro e o cinema e, desde então, ajudou a consolidar a figura dos piratas para o grande público. 

Imagem. Frame de animação "Peter Pan", exibindo o Capitão Gancho. O personagem traja roupas de navegação na cor vermelha, com babados branco na altura do perto e pulsos. Possui queixo alongado e um gancho no local da mão esquerda. Fim da descrição.

Quando se pensa nos piratas da literatura, Capitão Gancho provavelmente é um dos primeiros a vir à mente. Em 1911, o que era originalmente uma peça de teatro escrita por J.M. Barrie, se tornou um livro que seria mundialmente aclamado e que apresentaria um dos personagens infantis favoritos de todos os tempos: Peter Pan, que em breve ganhará uma edição pela Editora Wish. Capitão Gancho, principal antagonista do herói, é um pirata que vive na Terra do Nunca e conquistou uma legião de fãs que continuam descobrindo sua história por meio das adaptações de Peter Pan.

Em 1921, Howard Pyle, autor de clássicos como As aventuras de Robin Hood e Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda também deixava sua marca nas histórias de piratas. O Howard Pyle's Book of Pirates reunia histórias de piratas escritas e ilustradas pelo autor e compiladas e publicadas após a sua morte. 

Em 1922 era a vez de Rafael Sabatini criar um marco literário com seu Capitão Blood. No enredo, durante o tumultuado reinado de James II, Peter Blood, um cavalheiro e médico irlandês, escapou por pouco da forca após ser preso e acusado de traição por tratar um rebelde ferido. Condenado a dez anos de escravidão em uma plantação de Barbados, Blood escapa do cativeiro e embarca em uma carreira como pirata, nunca perdendo de vista o desejo de limpar seu nome e retornar à Inglaterra. A história também rendeu adaptações de sucesso e Capitão Blood marcou uma geração de leitores apaixonados por aventuras e histórias de tirar o fôlego.

Imagem. Frame do filme "Capitão Blood". Imagem em preto e branco. Blood possui cabelos lisos com pontas enroladas, na altura dos ombros, e traja uma veste marítima. Aparece ao lado de uma jovem mulher, mais baixa do que ele. Ambos tem pele branca. Estão na polpa do navio, com cordas das velas ao fundo da imagem. Fim da descrição.

Das Grandes Navegações aos dias de hoje, os piratas continuam construindo seu legado na literatura. Autores contemporâneos fazem uso da ficção para criar seus próprios piratas e fazer com que leitores do mundo todo se apaixonem por suas histórias e aventuras. Se por um lado Francis Drake e Barba Negra deixaram suas marcas na história da navegação e da pirataria, Capitão Blood, Capitão Gancho e muitos outros imortalizaram os piratas na literatura e abriram espaço para que essas figuras ganhassem adaptações e fossem marcadas no imaginário popular até hoje.

Aventure-se em uma das mais célebres histórias de pirata, navegando pelos mares do Caribe de 1680. Conheça Capitão Blood, um pirata que ganhou as telas do cinema!

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