Frederick Douglass em uma nova série da Netflix (EUA)


Frederick Douglass nasceu como escravo com o nome de Frederick Augustus Washington Bailey, perto de Easton, no condado de Talbot, Maryland. Ele não tinha certeza do ano exato de seu nascimento, mas sabia ser 1817 ou 1818. Ainda menino, foi enviado a Baltimore para trabalhar dentro de uma casa, onde aprendeu a ler e a escrever com a ajuda da esposa de seu senhor. Em 1838, Frederick escapou da escravidão e foi para a cidade de Nova York, onde se casou com Anna Murray, uma mulher negra e livre que ele conhecera em Baltimore. Pouco depois, trocou seu sobrenome para Douglass. Em 1841, compareceu a uma convenção na Sociedade Abolicionista de Massachusetts em Nantucket e impressionou tanto o grupo que imediatamente o empregaram como representante. Era um palestrante tão impressionante que muitas pessoas duvidavam que algum dia ele fora escravo; então, escreveu sua primeira autobiografia. Durante a Guerra Civil Americana, Douglass ajudou no recrutamento de homens negros para o 54º e o 55º regimentos de Massachusetts e consistentemente argumentou a favor da libertação dos escravos. Depois da guerra, continuou ativo na proteção e garantia dos direitos dos homens livres. Em seus últimos anos, durante épocas diferentes, foi secretário da Comissão de Santo Domingo, marechal e oficial de registros do Distrito de Colúmbia e representante diplomático dos Estados Unidos no Haiti. Suas outras autobiografias são My Bondage and My Freedom e Life and Times of Frederick Douglass, publicadas em 1855 e 1881, respectivamente, ainda sem tradução no Brasil. Douglass faleceu em 1895.

Frederick Douglass, EUA, Netflix

Série EUA, Luta pela Liberdade na Netflix

Com narração de Will Smith, Frederick Douglass e diversos outros nomes importantes do abolicionismo e antirracismo são trazidos de volta a vida. 

 

 

Leia o prefácio do livro "A Jornada de um Escravo Fugitivo"

Por Karine Ribeiro 

Frederick Douglass, autor desta narrativa, foi uma das milhões de pessoas vítimas do sistema escravagista que vigorou por anos nos Estados Unidos, atingindo o ápice entre os séculos XVIII e XIX. Escravizado desde o berço, Douglass sofreu feridas que doem na alma de qualquer pessoa em contato com sua história. Uma realidade que para muitos parece tão distante, escancarada em memórias viscerais, sangrentas e cruéis, na voz daquele que foi forçado ao silêncio por grande parte da vida.

Apesar de pouco familiarizada com a escravidão estadunidense quando comecei a pesquisa para esta tradução, logo deparei-me com um cenário de horror análogo ao que impregnou as terras brasileiras quase um século antes. O leitor se verá diante de um relato autobiográfico extremamente relevante para refletir sobre a natureza humana em todo o seu escopo ― a maldade e o ódio dividindo as páginas com a simplicidade de espírito, a pureza, a perseverança e, acima de tudo, o anseio pelo direito universal da liberdade. A luta de Douglass é a luta dos que foram escravizados no Brasil; é a luta de todos que foram subjugados por conta do racismo.

O legado do mais influente afro-americano do século XIX começa nestas páginas e ecoará até a eternidade. Seu relato é uma viagem para um tempo sufocante e não tão distante do nosso, um labirinto aparentemente sem saída, em que a determinação pessoal de se elevar ― e elevar consigo seus irmãos ― retirou um homem de um pesadelo genocida que marcou a história de inúmeros países. Para além, Frederick Douglass foi um líder, um agitador no melhor sentido da palavra, logo se tornando o pai do movimento pelos direitos civis americanos.

A dor de Douglass e de seus irmãos escravizados é a dor que os povos pretos carregam até hoje no DNA ― a dor e a força que nos permite continuar lutando para que a voz de nosso povo jamais seja amordaçada novamente.


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