Editora abre campanha para financiar fantasia cearense de 1899


Editora Wish lança campanha no Catarse para publicação de duas obras raras da literatura fantástica no Brasil. Os livros A Rainha do Ignoto e A Filha do Rei de Elfland entram em financiamento coletivo a partir do dia 10 de outubro, na plataforma Catarse. Chamado de Box Literatura Fantástica Rara, o produto está sendo esperando por leitores desde o anúncio da campanha, em janeiro último. O objetivo da campanha é arrecada o montante de R$ 70 mil. Os apoios vão de R$ 15 a R$ 900.

“O aclamado e esperado A Rainha do Ignoto ganha nova edição completa no Brasil depois de anos desde seu último lançamento, em 2003. Escrito pela cearense Emília Freitas e publicado originalmente em 1899, a obra – pioneira da fantasia e ficção científica nacional – estava esgotada há anos em todas as livrarias, bibliotecas públicas e sebos virtuais. O livro será lançado em um box de colecionador acompanhado do inédito “A Filha do Rei de Elfland”, fantasia escrita por Lord Dunsany em 1924, cujos direitos foram adquiridos com exclusividade pela Editora Wish. A obra é mundialmente conhecida por ter sido influenciadora de autores como Lovecraft, Tolkien, Neil Gaiman e Del Toro, e narra a história de um mundo fantasioso cheio de magia, bruxas e elfos”, explica a editora em material de divulgação.

A campanha irá ao ar nesta quinta-feira, 10 de outubro. Os apoiadores que comprarem o box na oferta especial do primeiro dia de campanha ganharão o exclusivo aviso de porta com a ilustração de Alphonse Mucha, originalmente utilizada na capa da edição de 2003 de A Rainha do Ignoto.

A Rainha do Ignoto

““A Rainha do Ignoto” discorre sobre temas relacionados à alma feminina e à situação das mulheres na sociedade patriarcal, apresentando uma sociedade secreta de mulheres, hierarquicamente organizada em uma ilha, denominada Ilha do Nevoeiro, governada por uma Rainha que recrutava mulheres a partir do sofrimento vivenciado por elas no cotidiano. Numa curiosa narrativa que lembra as velhas lendas, Emília Freitas recria o clima de mistério a beleza dos contos europeus. O grande interesse do livro está na criação de uma utópica comunidade de mulheres, as chamadas paladinas, que só fazem o bem e só buscam ajudar aos perseguidos”, diz a Editora Wish em material de divulgação.

O romance terá cerca de 400 páginas, e a história será acompanhada de um prefácio escrito por Alexander Meireles da Silva, professor associado da UFG, pesquisador de Literatura Fantástica e criador do canal Fantasticursos; e posfácio de Adrianna Alberti, pesquisadora e mestre em Letras pela UEMS.

A Filha do Rei de Elfland

“O estilo poético e a grandeza arrebatadora de A Filha do Rei de Elfland o tornaram um dos romances de fantasia mais amados do nosso tempo, uma obra-prima que influenciou alguns dos maiores fantasistas contemporâneos. Na história, o Senhor de Erl descobre que seu povo gostaria de ser governado por um mestre mágico. Obedecendo aos costumes, o Senhor envia seu filho, Alveric, para encontrar a filha do Rei de Elfland, Lirazel, e torná-la sua esposa. Alveric parte em sua busca com a ajuda da bruxa Ziroonderell. Mas assim como muitas noivas mágicas do folclore, Lirazel não se adapta à realidade humana e retorna a Elfland; e Alveric, apaixonado, tenta mais uma vez encontrá-la. A história comovente do casamento entre um homem mortal e uma princesa elfa é uma tapeçaria magistral do conto de fadas que segue o felizes para sempre”, explica a editora.

A edição terá aproximadamente 260 páginas, com tradução de Cláudia Mello Belhassof, tradutora de “Enraizados”, “Doctor Who” e “Bela Distração”, entre outros; e prefácio de Enéias Tavares, professor de Literatura Clássica na UFSM e diretor do Centro de Pesquisas William Blake.

Emília Freitas

Emília Freitas foi romancista, poeta e professora. Nascida em 1855, no interior do Ceará, viveu parte de sua vida em Fortaleza e Manaus, duas cidades que influenciaram a construção da ambientação em suas obras. Participou ativamente dos movimentos sociais da época, colaborando em periódicos abolicionistas e fazendo parte da Sociedade das Cearenses Libertadoras – uma associação feminina em prol da abolição da escravidão. É considerada a autora pioneira da literatura fantástica brasileira com a obra A Rainha do Ignoto, que mistura fantasia, ficção científica e um pouco do terror vitoriano.


Lord Dunsany

Edward John Moreton Drax Plunkett, 18º Barão de Dunsany, foi um escritor e dramaturgo anglo-irlandês, notável por seu trabalho em fantasia publicado sob o nome de Lord Dunsany. Mais de oitenta livros de seu trabalho foram publicados, e sua obra inclui centenas de contos, além de peças, romances e ensaios de sucesso. Nascido em um dos títulos mais antigos do grupo irlandês, ele viveu grande parte de sua vida na casa mais habitada da Irlanda, talvez o Castelo Dunsany, perto de Tara, e recebeu um doutorado honorário do Trinity College.

 De Jornal O Povo por Isabel Costa


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