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29/03/2018

Um conto de fadas celta e inédito


Um curto conto de fadas celta para você conhecer!

 

Amigos das fadas

 

Fairy Friends
Edição de W. W. Gibbings
Escócia/Inglaterra, 1899

É bom ser amigo das fadas, como mostram as seguintes histórias:

PRIMEIRA HISTÓRIA

Houvera, desde os tempos imemoriais em Hawick, durante as últimas três semanas do ano, feiras que aconteciam em um único dia da semana, com oferta de carneiros para abate. Inúmeras pessoas, tanto as de classe média quanto as mais humildes, costumavam a se abastecer em tais comércios. Um homem pobre de Jedburgh estava a caminho de Hawick com o propósito de visitar um desses mercados e, ao passar por Rubislaw, lugar mais próximo de Teviot, de repente, fora surpreendido por um ruído assustador e inexplicável. O som, como ele supunha, vinha de uma aglomeração de vozes femininas, mas não era possível ver nada. Em meio a lamentos e prantos, misturavam-se gritos de júbilo e alegria, mas ele não conseguia entender nada do que diziam, apenas as seguintes palavras:
— Ó, uma criança nascera, mas não há nada para vesti-la!
A ocasião era um concerto élfico e, ao que parece, comemorava-se o nascimento de uma fada. As fadas, com exceção de duas ou três que estavam consternadas por não ter nada para cobrir o pequeno ser inocente, festejavam com a jovialidade característica de tal evento.
O camponês que se encontrava entre os seres invisíveis, num lugar de pântanos selvagens e longe de qualquer auxílio humano, deveria ser a assistência necessária e, estando em desassossego por ouvir aquela afirmação vociferada repetidamente, pegou seu manto xadrez e jogou-o no chão. O tecido fora arrebatado por uma mão invisível e os lamentos imediatamente cessaram, mas os gritos de alegria continuaram com mais vigor.
Fazendo-o crer que sua atitude tinha contentado os amigos invisíveis, sem mais delongas, prosseguiu na estrada para Hawick, refletindo sobre sua aventura singular. Comprou um carneiro, fazendo um ótimo negócio, e voltou para Jedburgh.
O camponês não teve motivo para se arrepender de sua generosidade ao conferir seu manto xadrez às fadas, pois sua riqueza multiplicara a cada dia depois do acontecido e ele permaneceu um homem rico e próspero até a morte.

SEGUNDA HISTÓRIA

Por volta do início da colheita, faltava farinha para o pão dos cultivadores na fazenda de Bedrule, e uma pequena quantidade de cevada (sendo tudo que havia amadurecido) fora cortada e transformada em farinha. A Sra. Buckham, esposa do fazendeiro, levantou-se ao amanhecer para assar o pão e, enquanto estava ocupada com o forno, uma pequena mulher de traje verde se aproximou e, gentilmente, pediu um punhado de farinha emprestada. A Sra. Buckham achou melhor atender ao pedido.
Pouco tempo depois, a mulher de verde voltou com uma quantidade igual de farinha, que a Sra. Buckham guardou no cesto de comida. Essa farinha era tão duradoura que a boa senhora de Bedrule fora capaz de assar muitos pães para servir à sua família e aos cultivadores durante a colheita, e o alimento ainda não havia acabado quando a colheita chegou ao fim.

 

Tradução de Amarilis Okida, todos os direitos de reprodução reservados à Editora Wish.

 

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