O Anel dos Löwensköld
O Anel dos Löwensköld
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O Anel dos Löwensköld

Selma Lagerlöf

O Anel dos Löwensköld

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Um mistério além-túmulo

A poética de Edgar Allan Poe e a famosa premissa de um anel amaldiçoado se encontram nesta história escrita por Selma Lagerlöf, primeira mulher a receber o prêmio Nobel de Literatura.
O roubo à cripta do General Löwensköld desencadeia uma série de eventos perturbadores, misteriosas superstições e um profundo desejo de vingança em meio às florestas de uma província sueca no século XVIII. Esta é a história de um anel fantasmagórico que desaparece de tempos em tempos, ressurgindo para trazer ruína à vida de seus possessores.
O Anel dos Löwensköld (Löwensköld­ska ringen, 1925) é bem diferente dos textos escritos por Lagerlöf na época da guerra, pois é divertida e séria ao mesmo tempo. Também possui uma narrativa original que brinca com ambiguidades e múltiplas interpretações, podendo até desestabilizar, de modo retrospectivo, interpretações já feitas nas outras obras de Lagerlöf. Destaca várias personagens femininas fortes e independentes; dessa maneira, os textos exploram e celebram a capacidade e o poder da narrativa.
Traduzido para o português brasileiro diretamente do original sueco.

Ficha técnica 

Dados Informações
Nome do Autor
Selma Lagerlöf
Tradutor
Carlos Rabelo
ISBN 978-65-88218-35-8
Páginas 160
Formato 15,5x23 cm
Capa Capa dura com Pantone metalizado (não é hotstamp)
Miolo Papel pólen bold 90g
Edição  1ª 
Conteúdo Indicado para adultos

 

Leia o primeiro capítulo

Bem sei que, no mundo de antigamente, havia pessoas que nem sabiam o que era medo. Ouvi falar de uma porção de gente que gostava de passear em um lago que congelara na noite anterior, e que não podia imaginar prazer maior do que sair atrás de cavalo desembestado. É verdade que havia um ou outro que nem mesmo se esquivava de jogar baralho com o sargento Ahlegård, embora todos soubessem que ele fazia truques com as cartas para sempre sair vencedor. Conheço também alguns poucos destemidos que não têm medo de começar uma viagem na sexta-feira, ou de se sentar a uma mesa de jantar servida para treze pessoas. Mas me pergunto se algum desses teria tido coragem de pôr no dedo o terrível anel que pertencera ao velho general Löwen­sköld de Hedeby.

Era o mesmo velho general que deu aos Löwen­sköld o sobrenome, a terra e o título de nobreza, e enquanto um deles continuasse morando em Hedeby, o retrato do general permaneceria pendurado entre as janelas do grande salão do andar superior. Era um grande quadro que ia do chão ao teto, e num primeiro relance parecia ser do rei Carlos XII, em pose aprumada com capa azul, grandes luvas de camurça e enormes botas de mosqueteiro, firmemente mantidas sobre o piso xadrez. Porém, ao se chegar mais perto, via-se que era um homem totalmente diverso.

O rosto de camponês, largo e rude, despontava de dentro do colarinho engomado. O homem no quadro parecia ter nascido para seguir o arado até o fim dos seus dias. Apesar de toda aquela feiura, ele parecia um rapaz ajuizado, confiável e esplêndido. Se tivesse vindo ao mundo em nosso tempo, teria no mínimo se tornado comissário e vereador, e quem sabe não teria até mesmo entrado no parlamento. Mas como viveu nos grandes dias de reis heroicos, saiu em guerra como soldado pobre, voltou para casa como o renomado general Löwen­sköld e recebeu da coroa as terras de Hedeby, na província de Bro, como retribuição aos seus serviços.

Contudo, quanto mais alguém olhasse o retrato, mais se reconciliava com sua aparência. Era um modo de compreender como eram os guerreiros que serviram às ordens do rei Carlos e abriram um caminho entre a Polônia e a Rússia. Não foram somente aventureiros e cortesãos que seguiram o rei, mas também homens simples e sérios como aquele que se via no quadro, que estimavam seu rei e sentiam que por ele dariam a vida e a morte.

Quando alguém observava a imagem do velho general, um membro qualquer da família Löwen­sköld fazia reparar que não era de modo algum sinal de vaidade da parte do retratado o fato de ter removido a luva da mão esquerda para que a grande joia que portava no indicador aparecesse na tela. Ele tinha recebido aquele anel do rei — havia somente um rei para ele —, e o anel aparecia no retrato para atestar que Bengt Löwen­sköld era fiel ao seu soberano. O general deve ter escutado várias recriminações amargas contra seu comandante, e muitos tinham até a audácia de afirmar que a ignorância e a desmesura do rei tinham conduzido o reino à beira do precipício. Porém o general se aferrava ao seu rei sob qualquer circunstância. Pois o rei Carlos havia sido um homem que o mundo não vira igual, e quem quer que tivesse vivido perto dele tivera a oportunidade de perceber que havia algo mais belo e elevado pelo que lutar do que glórias e riquezas mundanas.

Do mesmo modo que Bengt Löwen­sköld quis portar o anel real no retrato, ele quis levá-lo ao túmulo. Quanto a isso também não havia nenhuma vaidade em jogo. Não era sua intenção se gabar de um grande anel real no dedo ao se apresentar diante de Nosso Senhor e dos arcanjos, mas talvez tivesse a esperança de que, quando entrasse no salão onde Carlos XII estaria cercado por suas mais afiadas espadas, o anel pudesse servir como um sinal de reconhecimento, para que mesmo depois da morte pudesse permanecer na presença daquele homem, a quem tinha servido e adorado por toda a vida.

Quando o caixão do general desceu ao jazigo que ele mesmo mandara construir no cemitério de Bro, o anel real permaneceu no seu indicador esquerdo. Foram muitos os presentes que se lamentaram por uma joia como aquela seguir para o caixão de um homem morto, pois o anel do general era quase tão conhecido e admirado quanto ele próprio. Contava-se que havia tanto ouro no anel que seria bastante para comprar uma fazenda, e que a cornalina vermelha em que estava gravado o monograma do rei não teria menos valor. Em geral, pensava-se que fora honroso da parte dos filhos que não tivessem se oposto ao desejo do pai e o deixassem conservar sua gema.

Se o anel do general fosse realmente tal como retratado no quadro, seria uma coisinha feia e desajeitada, que quase ninguém hoje gostaria de usar no dedo, mas isso não impedia que fosse mormente admirado duzentos anos atrás. Há que se ter em mente que todo ornamento e objeto de metal precioso, com apenas algumas poucas exceções, tiveram que ser entregues à coroa, pois foi necessário combater as moedas de Goertzen e a falência do Estado, e para muitas pessoas o ouro era uma coisa da qual tinham ouvido falar, mas nunca haviam visto. Dessa maneira, aconteceu que aquela gente não podia se esquecer do anel de ouro que fora encerrado à toa debaixo de uma lápide. Pensavam até que era injusto o anel ficar lá embaixo. Podia ter sido vendido em terra estrangeira por alto preço e garantido o pão para muitos que não tinham outro alimento a não ser palha e casca de árvore.

Embora houvesse muitos que gostariam de ter a grande preciosidade em mãos, não havia ninguém que pensasse a sério em se apropriar do anel. Ele estava dentro de um caixão parafusado, num jazigo murado, sob pesadas lajes de pedra, inalcançável mesmo para o mais ousado ladrão, e assim se pensava que o anel ali permaneceria até o momento do juízo final.

Customer Reviews

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M
Maria de Lourdes Dos Santos (SE)
Fascinante

O tipo de livro que quando começa você não consegue parar de ler e quando você termina você se arrepende de ter lido rápido

N
Nadabe Souza (MG)
Intrigante e envolvente

Quando o anel do velho general Löwenksöld é roubado de sua cripta, os ladrões passam pelos mais diversos tipos de infortúnio. À medida que os anos passam, o anel roubado passa pelas mãos de várias pessoas, que testemunham os terríveis eventos.
O Anel dos Löwensköld é um livro envolvente, intrigante e cuja narrativa instiga o leitor a ler até o final. É impossível parar de ler até chegar ao desfecho. É um livro de leitura rápida, você mal percebe os capítulos passando.
Teve um momento em que foi inevitável fazer uma leve comparação com A Volta do Parafuso. O livro de Selma - vencedora do Nobel de Literatura - inclusive supera em muito o outro. Uma leitura fascinante e envolvente.

C
Cristiane Prates (PE)
Senti o frio sueco ao ler

É uma leitura bastante fluida e ao começar, é difícil de parar.. Gostei muito de conhecer a autora e pela importância de Selma Lagerlöf, agradeço a Wish por tê-la nos apresentado. A primeira mulher nobel em literatura conseguiu traçar uma crítica às estruturas de classe em seu país, a Suécia, de forma divertida e recheada de mistério. A história é toda permeada por uma grande metáfora: o fantasma.
As descrições dos locais são bem claras e extremamente importantes para a contextualização da obra. A descrição do frio e de como as pessoas precisam do fogo para sobreviverem é primorosa.Os personagens, apesar de não muito aprofundadobem, são cativantes, principalmente as mulheres.

F
Fabiana Martins Souza (MG)
Fantástico!

Edição maravilhosa, e uma história fantástica, adorei a escrita da autora e agradeço à Wish por me apresentar essa bela obra! E espero em breve ter as outras duas edições da trilogia, publicadas pela Editora, é claro! 😊🤗📚❤

N
Natália Alves (GO)

Muito bom

H
Haída Coelho (SP)

Uma história muito intrigante, apesar de não ser bem um mistério, pelo menos não para o leitor; pelo contrário, nós sabemos exatamente o que aconteceu, o que torna o desenrolar da narrativa quase que um drama de novela, haha. Se tem uma lição que podemos levar disso tudo, porém, é que: se gente rica é mesquinha em vida, imagine na morte!

L
Lenine Santos (RJ)
Ótima novidade.

Um texto excelente de uma autora que eu ainda não conhecia.
A tradução é primorosa, e nos aproxima da cultura sueca com naturalidade, deixando o livro vivo.
Encadernação e tratamento gráfico de luxo.

H
Higor Peleja (DF)
Fantasmagórico, intrigante e divertido!

O suspense que gira em torno do sumiço de um anel, o fantasma que o cerca e o legado de uma família.
A história é intrigante e de certa forma até divertida. De leitura fluida e rápida, daquelas que te prendem até o fim.
A edição também não deixa a desejar, o padrão Wish é mais uma vez bem elaborado cheio de detalhes com grande destaque para o metalizado da capa. Tudo muito lindo.

J
José Guilherme Pimentel Balestrero (ES)
um espetáculo

Uma fábula nórdica escrita por uma nobel de literatura que não consegui largar. Espero agora o lançamento dos outros dois livros da trilogia.